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Nota Qualis (2009)

A Revista de História foi reavaliada como Qualis A2 depois de enviar à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em conjunto com outros periódicos científicos, diversos oficios que apontavam problemas e inconsistências no processo de avaliação que teve 2008 como ano base.

A Revista de História foi reavaliada como Qualis A2 depois de enviar à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em conjunto com outros periódicos científicos, diversos oficios que apontavam problemas e inconsistências no processo de avaliação que teve 2008 como ano base. Na ocasião, publicamos um editorial (em nosso número 160) e um texto neste sítio (vide abaixo) que sintetizavam o teor dos problemas e de nossa posição em relação a eles.

Avaliação Qualis

Devido à profunda consideração que a Revista de História (RH) tem por seus autores, pareceristas, leitores e instituições promotoras e de financiamento, o Conselho Editorial vem a público esclarecer sua posição diante da última avaliação promovida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo sistema Qualis. Nessa avaliação, a RH caiu do primeiro estrato da classificação (Qualis A Nacional) para o quarto (Qualis B2, em História) ou terceiro estrato (Qualis B1, em Antropologia/Arqueologia), equivalentes a, respectivamente, 4 e 5, numa escala de 0 a 7 (onde A1=7, A2=6, B1=5, B2=4, B3=3, B4=2, B5=1, C=0).

A posição do Conselho Editorial da Revista de História já foi expressa em correspondência enviada à Capes e aos responsáveis pela avaliação. Por meio dela estamos pleiteando também que seja considerada a pertinência da revisão do procedimento de avaliação do triênio 2007-2009, sendo este precedido por ampla e pública discussão e divulgação de seus critérios. Compreendemos o esforço dos responsáveis pelo sistema Qualis em promover o aperfeiçoamento dos periódicos científicos brasileiros mediante sua avaliação e, justamente por isso, acreditamos na necessidade imperiosa de transparência e coerência dos procedimentos adotados.

Os pontos apresentados a seguir sumarizam a discussão que fizemos sobre os critérios que nortearam a avaliação das revistas, bem com sobre a sua aplicação.

Sobre os critérios

1. Os critérios que nortearam a avaliação dos periódicos publicados em 2007 só foram definidos entre abril e outubro de 2008.

2. Até a presente data, ainda não foram publicados no site institucional da Capes, nem foi dirigida aos editores das revistas avaliadas qualquer forma de correspondência.

3. Não houve tampouco uma discussão antecipada destes critérios com os pesquisadores da área, ou com os editores das revistas avaliadas.

4. Os critérios adotados mimetizam outros, igualmente polêmicos, que ainda tentam se impor em diversos países, a despeito das fortes críticas que têm recebido em toda parte, (cf. matérias publicadas na revista Pesquisa Fapesp de maio e junho de 2009). De fato, tais critérios são pouco pertinentes aos temas e conteúdos veiculados pelas revistas de Ciências Humanas: o que define um periódico de qualidade são apenas porcentagens. Por exemplo: uma revista de excelência deve publicar 75% de artigos de autores provenientes de cinco instituições diferentes da que publica o periódico e 15% de estrangeiros. Os restantes 10% não são especificados. São parâmetros que conduzirão inevitavelmente a uma padronização das revistas a partir de critérios extrínsecos à competência dos autores e aos temas em debate. De resto, quando tomamos em consideração tais porcentagens vemo-nos conduzidos à bizarra situação de ponderar se devemos recusar artigos relevantes porque extrapolam aquelas cotas. Se seguíssemos aqueles critérios, a revista passaria a ser moldada antes pela forma determinada pelas cotas do que pela relevância de tal ou qual artigo.

5. Quanto ao critério “qualidade”, ele só surge no estrato superior (A1) e em termos extremamente vagos: “periódicos de destacada qualidade, devidamente demonstrada em relatórios pelos avaliadores”.

6. O sistema de avaliação trabalha com as chamadas “travas estatísticas” (A1+A2<20%; A1+A2+B1<50%. Cf. Jornal da Ciência n. 646), que estabelecem cotas para os estratos superiores da lista de avaliação, fazendo com que a curva tenda a assumir a forma de “sino” da “curva de Gauss”, com um pico na nota média. No caso da avaliação das revistas de História, entretanto, a curva possui seu pico nos estratos inferiores: C: 86 revistas; B5: 360; B4: 124; B3: 102; B2: 91; B1: 71; A2: 42; A1: 21).

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7. Esse tipo de procedimento de avaliação é tipicamente empregado em empresas capitalistas e visa incentivar a competitividade interna, numa lógica avessa à nossa, pautada antes na colaboração e diálogo acadêmicos, por meio do trabalho fundamental realizado pelos pareceristas (colegas de outras revistas que colaboram voluntariamente conosco, mas que agora são empurrados para a posição de competidores). As “travas estatísticas” introduzem, ademais, uma deformação da realidade: como os estratos superiores só podem conter um determinado número de periódicos (A1: máximo de cinco revistas nacionais, p.ex.), os demais, mesmo que sejam de igual qualidade, serão classificados em estratos inferiores. Dito de outra maneira: se a lei e a realidade não coincidem, a realidade deve ser modificada para se acomodar à lei.

    Sobre a aplicação dos critérios

    1. A lista divulgada (disponível em http://qualis.capes.gov.br/webqualis/ConsultaPeriodicos.faces. Acesso em 06/07/2009) apresenta inconsistências relativamente aos próprios critérios do sistema Capes de avaliação: foram incluídas revistas que não atendem ao critério mínimo de periodicidade requerida para sua inclusão como “periódico científico” (p.ex. Revista da Cátedra Jaime Cortesão, classificada, no entanto, no estrato B1), revistas que não contém nenhum artigo de História (p.ex. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte), como também outras publicações que foram interrompidas há vários anos (p.ex. Revista Internacional de Estudos Africanos). Por outro lado, periódicos internacionais altamente reputados no campo específico receberam baixa avaliação (p.ex. Slavery & Abolition). Tudo isso denota que os critérios foram mal aplicados, ou aplicados de maneira discricionária, o que consideramos extremamente grave.

    2. Por outro lado, há que se considerar também o gigantismo da tarefa, que a torna inviável. Como fazer todas aquelas contas para os dois volumes das 898 revistas de história listadas? Que dizer quanto a aferir a qualidade do conteúdo dos artigos?

    3. De resto, parece-nos que as revistas de história não podem ser todas avaliadas com os mesmos critérios, pois cumprem funções sociais diferentes, conforme tenham uma vocação generalista ou voltada para temáticas específicas, conforme se dediquem a problemas regionais ou tenham um escopo mais amplo etc.

    4. Por fim, no que diz respeito especificamente à nota atribuída à Revista de História, questionamos a avaliação atribuída pelo sistema Qualis / Capes num momento em que nossos esforços se orientam no sentido de respeitar as regras consensuais que dizem respeito à qualidade acadêmica das revistas: aprimoramento do sistema de arbitragem, atenção à periodicidade e à pontualidade, utilização sistemática de serviços de revisão, entre outras. Nessa direção colocam-se também nossos esforços em viabilizar este site que, junto à digitalização do acervo da Revista de História, procura disponibilizar a um publico mais amplo os números mais recentes da revista, bem como o que foi realizado ao longo de sua história. Site que se coloca também como espaço de debates entre o Conselho Editorial e seus leitores.


    Outros artigos ou editoriais sobre o tema

    O novo Qualis, que não tem nada a ver com a ciência do Brasil. Carta aberta ao presidente da CAPES - por Mauricio Rocha-e-Silva (Revista Clinics - vol. 64, número 8, 2009)

    Pós-graduação, sistema Qualis e futebol - por Paulo Capel Narvai (Revista ADUSP - outubro de 2009)



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